Aikido Ballet
February 8th, 2010
Pérola postada no Orkut. Iriminagay demais para meu gosto…
Série de vídeos superinteressante com Yamaguchi sensei, de 20 anos atrás. Reparem no segundo e terceiro vídeo um Yasuno sensei ainda jovem.
Já que sensei Aristeu disponibilizou este vídeo, é inevitável que eu a publique aqui, pois tenho uma grande consideração por sensei Edu.
“Disciplina é liberdade,
compaixão é fortaleza,
ter bondade é ter coragem”- Trecho de “Há tempos”, Renato Russo
Após uma noite mal durmida (fiquei tomando conta de minha linda filhinha de 2 semanas e instalando Windows 7 no meu notebook), acabei levantando às 6h30 em pleno domingo, para dar uma carona para o sensei e passar na APA para o exame.
Pegamos uma garoa até chegar ao dojo, e quando entramos, Ono sensei estava dando aula de respiração. Me troquei rapidamente e fiquei assistindo a aula fora do tatame. O que Ono sensei estava passando não me pareceu tão fácil quando parecia ser, mas naquele momento minha preocupação era outra.
Passei a última semana treinando com os colegas para o exame, e fiquei apreensivo quando vi como alguns deles estavam se saindo. Me lembrei do que aconteceu com a Renata no ano passado e fiquei receoso de que a Zenkikai passasse pelo mesmo constrangimento novamente. Minha preocupação aumentou ainda mais na última aula, quando Ricardo se machucou ao ter recebido meu koshinage.
Cheguei a mencionar o assunto com os senseis pouco tempo atrás, mas eles disseram que não haveriam problemas. Mas era difícil de acreditar após ver como as coisas estavam. Acabei desencanando: quem sou eu que vai contrariar dois senseis com mais de 20 anos de experiência?
Não sei se foi o sono ou o tempo, mas me mantive indiferente (para não dizer apático) durante a maioria dos exames. Já houve épocas que eu ficava um pouco nervoso antes do evento, mas desta vez, eu sabia de alguma forma de que executaria as técnicas de forma condizente a um primeiro kyu. Na véspera não fiz nenhuma revisão mental, nem assisti vídeos de exames anteriores. Então, me surpreendi de estar realmente aprendendo algo novo, depois de 4 anos de treino: apreciar a apresentação dos outros, mesmo dos iniciantes. Aos poucos, os alunos da Zenkikai começaram suas apresentações. Martins, Evandro, Paola e Rogerinho foram muito bem e até mesmo Sérgio executou seu repertório sem cometer erros graves, o que gerou um grande alívio.
Minha primeira apresentação foi como uke do Orlando, que iria para o 2o kyu, e eu tinha certeza de que ele iria fazer um ótimo exame, pois foi um dos poucos que treinou não apenas para o exame. As coisas estavam indo muito bem mesmo, até o momento que foi solicitado o ushiro ryotekubi kotegaeshi. Então o inesperado aconteceu: deu um branco nele. Mesmo quando Vagner sensei disse que não tinha problemas e pulou a técnica, percebi que ele ficou abalado. Eu me senti (e ainda sinto) muito mal por não saber como podia ajudâ-lo naquele momento. Para piorar, o curativo na minha mão começou a soltar, e acabei arrancando o esparadrapo no meio do exame mesmo, para não atrapalhar a concentração e os movimentos. Terminamos o exame com os dois doguis manchados com um pouco de sangue.
Enquanto aguardávamos na fila, desta vez para meu exame, percebi o quanto aquele pequeno erro mexeu com sua confiança. Disse para ele que desencanasse, mas sabia que não seria tão fácil nem tão rápido superar aquilo. Quando fomos convocados, ele esqueceu alguns ataques e no jiyuwaza acabou ficando muito exposto. Posteriormente, Daniel me contou o quanto foi cômico para quem estava assistindo, pois eu estava parecendo com um técnico de baseball passando sinais. Quando terminei, estava mais preocupado com seu estado de espírito do que com minha aprovação ou reprovação.
Voltei para a fila novamente, pois seria o uke do Ricardo, que foi minha maior fonte de preocupação. Nos dias anteriores tinha sido ríspido com ele, pois seus movimentos não estavam saindo bem. E agora, como vai ser? Algo me fez escolher uma opção que normalmente não arriscaria: confiar nele. Não sei se ele percebeu isso, ou se ele recebeu alguma inspiração divina, mas ele acabou fazendo um excelente exame, acertando até o koshinage, que não conseguiu executar uma única vez durante os treinos. Quando terminou, acabei entendendo a despreocupação de Daniel e Ernesto.
Cada um é condizente com sua graduação de sua própria forma. Posso ser melhor que outros nas formas e macetes para executar as técnicas, mas aikido é muito mais do que isso. Aikido significa também ser capaz de passar confiança para o parceiro, algo que Ricardo teve sucesso e eu não. Embora eu tenha recebido a faixa marrom, não sei se sou merecedor, pois senti falta dessa habilidade, que é muito mais difícil de aprender do que as técnicas. Por conta dessa dúvida, ainda reside um gosto amargo em mim, apesar da conquista.
Após os exames, Vagner sensei fez uma apresentação novamente e chamou atenção novamente nas intenções, antecipações e principalmente o fato de todos estarem andando em linha reta, colidindo nos parceiros. Depois, foi a vez de Ono sensei fazer as explicações, e o momento mais engraçado foi quando ele disse que tudo que ele explicou em cinco minutos, Vagner sensei precisou de meia hora, fazendo todos passarem fome.
Houve ainda a entrega dos certificados, e a foto oficial do evento. Presenciei mais uma vez um momento alegre de Ono sensei, quando mandou Rubens sensei sentar ao seu lado e entregar a câmera para outra pessoa, pois é sempre ele quem tira as fotos e nunca aparece nelas. Vendo isso, entende-se porquê Ono sensei é tão querido por todos e como fomos felizardos por fazer parte de sua associação.
Antes de sair, tive uma conversa animadora com sensei Leonardo, que me parabenizou e disse que eu fui bem. Quando eu disse que podia ter sido melhor, ele me perguntou o motivo disso, e disse sobre as dificuldades que tive durante o exame e pela apresentação do Vagner, que me deu a impressão de que não aprendi nada em todo esse tempo. Ele riu e me aconselhou a filtrar um pouco de tudo que vejo e ouço. Disse que embora eu tenha passado por uma provação, ele percebeu que eu sabia o que precisava fazer. Ganhei meu dia: vindo dele, aquele comentário foi um puta elogio. Valeu mais do que a nova graduação.


Que atire a primeira pedra o aikidoísta que nunca pensou a mesma coisa!